SEMENTEIRA leva dança e resistência das hortas urbanas aos palcos de São Paulo

 


Com concepção e direção artística de Cléia Plácido, o Núcleo Menos 1 Invisível circula por quatro espaços culturais da cidade e também com exposição virtual


O Núcleo Menos 1 Invisível apresenta SEMENTEIRA, espetáculo com concepção e direção artística de Cléia Plácido, que circula por quatro espaços culturais de São Paulo entre setembro e outubro. A criação parte das experiências em hortas urbanas e periféricas da zona Leste da cidade para refletir, por meio da dança, sobre crise climática, injustiça ambiental e formas de resistência coletiva. As apresentações acontecem no Teatro Flávio Império, Fábrica de Cultura Parque Belém, Centro de Referência da Dança (CRD) e Complexo Cultural Funarte SP.

Inspirado no gesto de quem planta e cultiva em mutirão, o espetáculo se aproxima do esperançar de quem move sementes e cultiva a terra em meio à crueza da metrópole. Em cena, humanos e não humanos formam uma floresta que, em meio ao desencanto, reencontra o olhar pelas sementes, pela germinação e pelo corpo que dança e canta suas reimaginações em plena cidade.

A pesquisa artística dialoga com autores como Malcom Ferdinand, de “Ecologia Decolonial”, Nêgo Bispo, de “A Terra Dá, a Terra Quer”, e Denetèm Touam Bona, de “A Sabedoria dos Cipós”. O trabalho também homenageia lideranças femininas como a queniana Wangari Maathai, Prêmio Nobel da Paz pela criação do Cinturão Verde no continente africano.

Da horta ao palco

A principal matriz de inspiração e materialidade do SEMENTEIRA vem das experiências nas Hortas da Jô, em Ermelino Matarazzo, e da intervenção artística realizada no Viveiro Escola das Mulheres do Gaú, ambos na zona Leste de São Paulo, região onde parte do elenco reside. A prática como pesquisa orientou o processo artístico a partir das vivências nos mutirões organizados pela Rede Permaperifa, com base em práticas agroecológicas e de permacultura.

O processo também partiu da necessidade de desconstruir estereótipos que romantizam o trabalho no campo e deixam de lado as questões sociais e políticas presentes nas hortas urbanas e na agricultura familiar. Mais do que uma vivência idealizada de contato com a terra, o espetáculo valoriza o trabalho de quem lida com a enxada todos os dias e tem a paciência de ver brotar e frutificar o que semeou, independentemente da chuva, do sol, do calor extremo ou do frio.

Nesse percurso, a crise climática aparece como um chamado para repensar práticas a partir do próprio território. Ao transformar essas experiências em matéria para a dança, o SEMENTEIRA propõe imaginar futuros possíveis e revitalizar as ruínas do presente a partir de práticas de cuidado, resistência e criação coletiva.

“O SEMENTEIRA nasce do encontro entre a dança e as experiências muito concretas de cuidado com a terra. Ao vivenciar as hortas e os mutirões, percebemos que ali não existe apenas uma relação com a natureza, mas também resistência, trabalho e disputa por território. Levar essas experiências para a cena é uma forma de pensar como podemos criar outros modos de estarmos juntos diante da crise climática.”, afirma Cléia Plácido, idealizadora e diretora artística do espetáculo.

Circulação e exposição virtual

As apresentações começam no Teatro Flávio Império, onde o espetáculo será apresentado de 11 a 13 de setembro. Em seguida, o SEMENTEIRA passa pela Fábrica de Cultura Parque Belém, em 24 de setembro, e pelo Centro de Referência da Dança, nos dias 16 e 17 de outubro. A circulação se encerra no Complexo Cultural Funarte SP, de 21 a 24 de outubro, às 19h.

Como ação de encerramento do projeto, será disponibilizada ao público uma exposição virtual com registros fotográficos do imaginativo do processo criativo. O lançamento acontece durante as apresentações na Funarte SP, ampliando o acesso à pesquisa e aos caminhos percorridos ao longo da criação.

Este projeto foi contemplado pela 38ª Edição do Programa Municipal de Fomento à Dança para a cidade de São Paulo, Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa.

Serviço

SEMENTEIRA | Núcleo Menos 1 Invisível

Teatro Flávio Império

Datas: 11 a 13 de setembro, sexta e sábado, às 20h, e domingo, às 18h

Local: Rua Professor Alves Pedroso, 600, Cangaíba, São Paulo/SP

Fábrica de Cultura Parque Belém

Data: 24 de setembro, às 15h

Local: Avenida Celso Garcia, 2231, Belenzinho, São Paulo/SP

Centro de Referência da Dança (CRD)

Datas: 16 e 17 de outubro, às 19h

Local: Praça Ramos de Azevedo, s/nº, Galeria Formosa, Baixos do Viaduto do Chá, Centro, São Paulo/SP

Complexo Cultural Funarte SP

Datas: 21 a 24 de outubro, às 19h

Local: Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos, São Paulo/SP

Exposição virtual

Lançamento durante as apresentações na Funarte SP, como encerramento do projeto, com registros fotográficos do processo criativo de SEMENTEIRA.

Durante a temporada na Funarte SP, será lançada ao público a exposição virtual que finaliza o projeto, com o registro fotográfico do processo criativo do SEMENTEIRA.

Ficha técnica

Concepção e direção artística: Cléia Plácido

Intérpretes criadores: Eduardo Reis, Emily Kimura, Júlia Lima, Rafael Markhez, Keithy Alves e Cléia Plácido

Orientação dramatúrgica: Paula Salles

Assistente de coreografia: Clara Gouvêa 

Preparação corporal: Mestre Pedro Peu e Maristela Estrela 

Preparador Vocal: Klécio Miranda e Andreia Nhur

Desenho de luz e cenário: Hernandes Oliveira

Figurino: Karine Lopes

Trilha sonora: Sarine Mariano

Direção de Produção: Iolanda Costa

Assistente de produção: Aline Vieira 

Produção executiva e consultoria ambiental: Lucas Ciola 

Fotógrafo: Sergio Fernandes 

Registro audiovisual: NomeFilmes 

Social Mídia: Loren Kali 

Designer Gráfico: Rafael Markhez 

Assessoria de imprensa: Marrese Assessoria

Apoio cultural: Cooperativa Paulista de Dança, Aikido Ipiranga

Agradecimentos: Coletivo Eparreh, Rede Permaperifa, Angoleiro Sim Sinhô ZL, Renata Mattar

Sobre Cléia Plácido

Cléia Plácido é artista da dança, coreógrafa, pesquisadora, professora e preparadora corporal. Doutoranda em Artes pela UNESP, com o projeto “Dança, ativismo ambiental e contra colonialidades”, integra o grupo de estudos N’Me (Núcleo de Metodologias de Pesquisa em Artes). É bacharel e licenciada em Dança pela Universidade Anhembi Morumbi e estudou o Sistema Laban/Bartenieff na Faculdade Angel Vianna, no Rio de Janeiro. Atua como artista da dança e pesquisadora do movimento desde 2003 e é co-fundadora do Núcleo Menos 1 Invisível, do qual atualmente assume a direção artística. Recebeu o Prêmio Denilto Gomes de “melhor atuação política na dança” em 2017. Entre seus principais trabalhos estão “Turning Dance” (2014), “Flutuante” (2019), “Zona” (2019), “Poemas Atlânticos” (2021, contemplado pelo 28º edital de Fomento à Dança) e “Refúgio” (2023, contemplado pelo 32º edital de Fomento à Dança).

Sobre o Núcleo Menos 1 Invisível

O Núcleo Menos 1 Invisível surge em 2013, com a proposta de investigar procedimentos artísticos que integram corpo e imagem a partir da composição e improvisação cênica. Em 2021, criou “Poemas Atlânticos”, inspirado nas ideias do poeta martinicano Édouard Glissant, contemplado pelo 28º edital de Fomento à Dança e selecionado pelo Proac LAB 45 Histórico de Dança e pelo edital “Corpo Negro” do SESC Rio. O grupo também realizou intervenções artísticas no SESC Avenida Paulista dentro do projeto SANKOFA, pesquisa entre dança e os adinkras africanos. Em 2023, estreou “Refúgio”, contemplado pelo 32º edital de Fomento à Dança, que circulou pelo Centro de Referência da Dança, Teatro Flávio Império, Espaço Cultural Batakerê, Oficina Oswald de Andrade e Centro Cultural Olido, além de integrar o Abril para a Dança 2024 no Centro Cultural São Paulo, o Confrontos Coreográficos 2024 no Sesc 24 de Maio e o projeto Dança para Todos os Corpos 2025, nas Fábricas de Cultura Jaçanã, Brasilândia e Jardim São Luiz.

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