PARLAPATÕES: Hugo Possolo comemora 45 anos de carreira com espetáculo solo inédito 'Idiota Convicto'

 Em ‘Idiota Convicto’, Hugo Possolo zomba da normalização crescente da mediocridade que vem tornando a sociedade cada vez mais embrutecida. Foto: Luiz Doroneto

Para comemorar seus 45 anos de carreira e 35 do grupo Parlapatões, o palhaço, ator, dramaturgo, diretor, cenógrafo, figurinista e aderecista Hugo Possolo apresenta o espetáculo solo inédito “Idiota Convicto”, com estreia no sábado, dia 04 de julho, às 22h, no Espaço Parlapatões, em São Paulo. A peça nasce das suas inquietações e desejo de abordar o fato de que a sociedade contemporânea está cada vez “mais intolerante, tensa e agressiva, mas que a solidariedade ainda é possível!” 

A montagem reúne textos exclusivos de renomados dramaturgos e dramaturgas como Luís Alberto de Abreu, Ana Saggese, Maíra Dvorek, Michelle Ferreira e Sérgio Roveri, e fica em cartaz até o dia 29 de agosto, sempre aos sábados, exceto dia 01/08, sem sessão.

Possolo, hoje com 63 anos, iniciou sua carreira em teatro profissional ainda na adolescência, em 1981. Com mais de 100 peças encenadas, ele segue voltado à pesquisa de teatro popular, comicidade e artes circenses para levar ao público um trabalho artístico divertido e que gere reflexões. 

O premiado palhaço - como faz questão de ser chamado - se consolidou em 1991, quando fundou os Parlapatões, que neste ano celebra 35 anos de trajetória, com 71 espetáculos produzidos. O grupo tem como característica a palhaçaria, o teatro de rua e popular, sempre buscando inovar a linguagem e ampliar o alcance de público. Já o Espaço Parlapatões, na Praça Franklin Roosevelt, no Consolação, comemora também 20 anos de atividades. 

Em sua trajetória multifacetada, Possolo escreveu diversos textos infantis, dirigiu óperas, atuou em televisão e cinema, colaborou para jornais e revistas, foi gestor público e curador de concertos, balés e espetáculos das mais variadas linguagens. É um dos fundadores da SP Escola de Teatro.

“Idiota Convicto” é o terceiro espetáculo solo do ator, que realizou “Prego na Testa” (2005, indicado ao Prêmio Shell de melhor ator), com texto de Eric Bogosian e direção de Aimar Labaki, com enorme sucesso e que seguiu no repertório do grupo por 20 anos; e “Eu Cão Eu”, do próprio Possolo (2012, indicado ao Prêmio Shell de melhor texto) com direção de Rodolfo García Vázquez.

A produção inédita traz o parlapatão em nova encenação que, pelo humor e com diferentes personagens, zomba da normalização crescente da mediocridade que vem tornando a sociedade cada vez mais embrutecida.

Os textos independentes foram escritos especialmente para a celebração dos 45 anos de carreira como um presente para Possolo, que também contribuiu com textos e roteirização. A narrativa da memória de um ator preso em casa passeia por diversos quadros e temas. 

Luís Alberto de Abreu, que foi mestre de Possolo na dramaturgia, traz a situação insólita de um homem que encontra uma argola viva no meio da calçada, até entender que era uma pessoa que virou do avesso. Michelle Ferreira fala de um professor de cinema que, com sua arrogância diante dos alunos, trata a sua própria vida como um roteiro. Ana Saggese e Maíra Dvorek apresentam Deus no comando de tudo, tomando atitudes descontroladas e autoritárias. Sérgio Roveri mostra um pai que não aceita que o filho possa sonhar e ser feliz. 

O espetáculo nasce das inquietações de Possolo querendo abordar o fato de que a sociedade contemporânea está cada vez “mais intolerante, tensa e agressiva”. Nesta reflexão, ele leva em conta que diversos fatores históricos mundiais são significativos para isso.

“O advento das redes sociais e os comportamentos dela derivados; a volta e violência do fascismo e dos grupos de extrema direita, o militarismo a máfia miliciana; as guerras que ameaçam uma Terceira Guerra Mundial, com possibilidade de utilização de bombas atômicas; o aquecimento global e a destruição do planeta por interesses econômicos e, por fim, o desprezo às Ciências e às Artes, gerando incompreensíveis elogios à ignorância”, reflete Possolo.

Como tratar desses assuntos com comicidade? “No fundo, os desafios do humor estão em saber questionar os temas contemporâneos sem querer definir para o público quais são as soluções. Até mesmo porque não as temos”, completa o ator.

Assim, Possolo procurou uma dramaturgia que definisse uma persona múltipla, que se mostra o idiota absoluto do título, totalmente convicto de que está sempre certo. Esse idiota, a persona central, é um ator que não consegue sair de seu apartamento, porque perdeu as chaves. Preocupado com sua memória, ele repassa o que fez antes, para tentar lembrar onde deixou a chave. 

Porém, seu esforço traz lembranças de outros fatos que o fazem reviver suas várias personagens, do passado e do presente. Os protagonistas que revive, enquanto tenta sair de casa, são um pouco dele mesmo e um pouco da visão que teve sobre essas personagens que representou um dia.

Essas diversas pessoas e situações, a partir do momento em que ele se ridiculariza, chegam ao público igualmente idiotas. Possolo define a peça como “mais uma provocação parlapatônica, sem julgamentos condenatórios aos idiotas, até porque sou um. Quero deixar ao público as reflexões de como e porque nos tornamos assim, tão tolos e tão convictos de nosso destino errático e sem sentido”.

Se em “Prego na Testa” o foco estava nas personagens que enlouquecem com a solidão das grandes cidades e em “Eu Cão Eu” mergulhava na força que tem um vício em mudar a vida das pessoas, “Idiota Convicto” trata da dificuldade de relações sociais das personagens e de como isso as embrutece.

Mais que um solo, o espetáculo resulta de um processo longo de pesquisa que vem celebrar junto a diversos artistas o trabalho em torno da palhaçaria e do teatro popular. Com comicidade e lirismo, o grupo busca trazer um diferente ângulo de visão que possa, com a comunicação direta com a plateia - típica da linguagem dos Parlapatões -, contribuir na construção de uma cidadania mais solidária.

SERVIÇO

‘Idiota Convicto’, Hugo Possolo e Parlapatões 

Data: dias 04, 11, 18 e 25 de julho; 08, 15, 22 e 29 de agosto - todos os sábados (exceto o dia 01/08, que é sem sessão)

Horário: 22 horas

Local: Espaço Parlapatões - Praça Franklin Roosevelt, 158 - Consolação - São Paulo/SP

Capacidade: 96 lugares

Classificação indicativa: 14 anos

Ingressos: R$ 70 (inteira), R$ 35 (meia); promoção para quem comprar até o dia 03 de julho: R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia); vendidos pelo Sympla: https://bileto.sympla.com.br/event/122863

Mais informações: @parlapatoes / https://parlapatoes.com.br / @hugopossolo

 

FICHA TÉCNICA - ‘IDIOTA CONVICTO’

Textos: Ana Saggese, Luís Alberto de Abreu, Hugo Possolo, Maíra Dvorek, Michelle Ferreira e Sérgio Roveri.

Roteiro, direção, atuação, assistência de direção, cenário, figurino, assistência de limpeza, limpeza, iluminação, insistências, confusões, dívidas e dúvidas, paciência, paixão e algumas outras funções não menos importantes: Hugo Possolo

Sonoplastia e operação de som: Deivison Nunes

Locução (Voz Bíblica): Tadeu Pinheiro 

Adereços: Agentemesmoqueimandodedonacolaquente

Operação de iluminação: Walmerio e OBarros

Fotos: Luiz Doroneto

Vídeos: Deivison Nunes

Designer Gráfico: Werner Schulz

Redes e Comunicação Social: A Outra

Assessoria de Imprensa: Fernanda Martins/Benu Comunicação

Produção Executiva: Manoela Flor

Gestão de Projetos: Cristiani Zonzini

Produção Espaço Parlapatões: Wira Bortoli

Assistência de Produção Espaço Parlapatões: Sofia Falastro

Realização: Parlapatões e Nada de Novo Produções Artísticas

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