A violista Andressa Lelis foi aprovada em música na UFRJ Mais fotos: https://bit.ly/4kSWeWF
Os resultados do ensino musical desenvolvido pela Orquestra Maré do Amanhã, no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, são destaques neste início de ano. As jovens Maria Eduarda Paz (flauta) e Andressa Lelis (viola), formadas pelo projeto, acabam de ingressar na graduação em música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ao mesmo tempo, os alunos-fundadores Pither Bazaga (violino) e Vinícius Pereira (contrabaixo) foram selecionados para integrar a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) Jovem, uma das mais importantes iniciativas de formação orquestral do país.
As conquistas confirmam a maturidade artística e pedagógica de um projeto que nasceu dentro de uma das maiores comunidades do Brasil e hoje se consolida como referência internacional em educação musical e transformação social.
“Quando vemos alunos chegando à universidade ou sendo selecionados para orquestras profissionais, percebemos que o ciclo está se completando. A música abre caminhos reais de futuro. E isso se torna ainda mais simbólico quando lembramos que o violinista Melquisedeque Osborne, que também começou aqui na Maré, foi recentemente aceito na Orquestra Sinfônica de Dublin. Todos chegaram aqui crianças e aprenderam conosco a tocar do zero. São histórias que mostram até onde esses jovens podem chegar quando encontram oportunidade”, afirma Carlos Eduardo Prazeres, fundador e diretor da Orquestra Maré do Amanhã.
No caso de Pither Bazaga e Vinícius Pereira, a seleção para a OSB Jovem também reflete os resultados do núcleo formativo criado pela Orquestra em 2025. O grupo foi pensado para preparar alunos acima de 25 anos que desejam seguir carreira profissional na música ou ingressar em cursos superiores da área. Nesse programa, os músicos recebem orientação de professores de universidades brasileiras e internacionais, além de aulas de inglês voltadas para ampliar as possibilidades de atuação no exterior.
Música como resposta à violência
Declarada Patrimônio Cultural Imaterial do Rio de Janeiro, em 2023, a Orquestra Maré do Amanhã teve sua história contada recentemente no livro “Concerto para um sonho”, escrito pela jornalista Hérica Marmo e editado pela Máquina de Livros. Em 2018, a trajetória também foi retratada no documentário “Contramaré”, dirigido por Daniel Marenco.
O projeto foi criado pelo jornalista Carlos Eduardo Prazeres após uma tragédia pessoal. Em 1999, seu pai, o maestro Armando Prazeres, foi sequestrado e assassinado no Rio de Janeiro. As investigações apontaram que o crime foi cometido por um morador da Maré. Em vez de responder com revolta, Prazeres decidiu transformar a dor em um projeto de impacto social.
“Quando meu pai foi assassinado, eu decidi que a violência não teria a palavra final. A música que ele tanto amava seria o caminho para transformar a realidade daquele território. Assim nasceu a Orquestra Maré do Amanhã, para mostrar que o talento pode florescer em qualquer lugar. Basta oportunidade, cuidado e afeto”, recorda.
Criada no Complexo da Maré, um dos maiores conjuntos de favelas do Rio de Janeiro, a iniciativa democratiza o acesso ao ensino de música e oferece oportunidades concretas para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade. Desde a fundação, mais de 17 mil pessoas já foram impactadas diretamente pelo projeto.
Impacto social e reconhecimento internacional
Em 2025, a Orquestra beneficiou diretamente mais de 4 mil crianças e jovens, sendo 85% pretos e pardos. A faixa etária predominante é de 4 a 7 anos, refletindo a aposta na educação musical desde a infância. Considerando o impacto sobre as famílias, o alcance indireto supera 12 mil pessoas em uma comunidade com cerca de 140 mil moradores.
As atividades incluem mais de 3.100 horas de aula por ano, com formação em instrumentos de cordas e sopros, canto coral, teoria musical e prática de orquestra. Os jovens músicos participam ainda de 80 concertos didáticos anuais em escolas públicas e de apresentações em importantes teatros do Rio de Janeiro.
Com atuação em 30 escolas públicas da Maré e uma sede própria inaugurada em 2018, a Orquestra mantém hoje oito núcleos artísticos, entre eles a premiada Camerata Jovem, eleita Melhor Orquestra do Brasil em 2019 e 2021 pelo Prêmio Profissionais da Música. O projeto inclui ainda duas orquestras mirins, grupos intermediários e avançados, corais infantis e juvenis e um núcleo de musicalização infantil.
A iniciativa também ultrapassou as fronteiras do Rio de Janeiro. Atualmente, mantém dois núcleos em Porto Trombetas, distrito de Oriximiná (PA), levando educação musical para comunidades ribeirinhas e quilombolas.
Entre os momentos marcantes estão as apresentações para o Papa Francisco no Vaticano, em 2017 e 2024, o concerto no Réveillon de Copacabana ao lado de Anitta para 2,5 milhões de pessoas, a participação no Rock in Rio 2019, no Palco Favela, e o desfile com a bateria da Beija-Flor de Nilópolis, no Sambódromo, em 2016.
Estrutura e compromisso com o futuro
A sede atual da Orquestra Maré do Amanhã, com 356 metros quadrados, conta com acessibilidade total, sistema de captação de água da chuva e energia solar, evitando a emissão de 1,2 toneladas de carbono por ano. O projeto administra 476 instrumentos musicais, possui três veículos próprios e gera 44 empregos diretos nas áreas administrativa, pedagógica, produção e comunicação.
Com 15 anos de história, a Orquestra Maré do Amanhã se consolida como um exemplo de como a cultura pode ser instrumento de cidadania, inclusão e potência.
Em cada nota tocada por seus alunos, ecoa a esperança de um Brasil mais justo, com mais oportunidades e menos desigualdade.
Patrocínio e apoiadores
A Orquestra Maré do Amanhã tem como patrocinadora master e mantenedora a Petrogal. Também patrocinam a OMA: Santander, State Grid Brazil Holding, Assim Saúde, Dasa, Ecoponte, Parnaíba Transmissora de Energia, Teles Pires Transmission, BMTE, Grupo Urbam e Prefeitura do Rio de Janeiro.
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