Com entrega de pinturas em Araxá, “Arte nas Águas de Minas” chega à metade de sua primeira edição

 


Terceira localidade na rota do projeto, cidade do Triângulo Mineiro celebrou a entrega das obras na última sexta; em 2025, Pouso Alegre, Montes Claros e Coronel Fabriciano também terão unidades da Copasa transformadas em galerias de arte a céu aberto


Na última sexta-feira, 20/12, o projeto “Arte nas Águas de Minas” comemorou a finalização das pinturas em Araxá, terceira localidade na rota do projeto que tem transformado unidades da Copasa no interior do Estado em galerias de arte urbana. O momento foi marcado por uma solenidade com a presença dos artistas Ramon Martins (SP), convidado da curadoria, e Matheus Black e Marlette Menezes, selecionados por edital local. Realizado pelo Ministério da Cultura e pela APPA - Cultura & Patrimônio, o projeto é patrocinado pela Copasa e viabilizado pelo Governo Federal - União e Reconstrução, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura - Lei Rouanet.


Com a entrega das obras em Araxá, cuja cerimônia também teve a participação de servidores da Copasa, colaboradores da APPA e da população, “Arte nas Águas de Minas” chega à metade de sua primeira edição. De setembro até agora, o projeto também passou por Divinópolis e Contagem, realizando nas três cidades nove painéis de graffiti e muralismo, assinados por dez artistas, que somam ao total cerca de 1.300 metros quadrados de pintura.


Além dos já citados artistas participantes da etapa em Araxá, participaram até agora os goianos Renato Reno e Douglas de Castro, da dupla Bicicleta Sem Freio (em Divinópolis), e a belo-horizontina Juliana Gontijo (em Contagem), pela curadoria; e Mika Ribeiro e William Pinguim (Divinópolis), e Zi Reis e Rafael Lacruz (Contagem), pelas convocatórias locais.


Em 2025, de janeiro a março, o projeto segue para Pouso Alegre, Montes Claros e Coronel Fabriciano, cidades onde a dinâmica se repete. Em uma unidade da Copasa de cada cidade, um artista nacional convidado da curadoria de Juliana Flores (CURA, Festa da Luz) e dois artistas locais selecionados por convocatória pública produzem trabalhos. As obras são norteadas pelo tema “As águas”, com processos e resultados que misturam arte urbana, conscientização ambiental e desenvolvimento comunitário.


Como também aconteceu na primeira metade do projeto, haverá em cada uma das próximas cidades uma oficina de arte urbana ministrada pelos dois artistas locais selecionados e direcionada a jovens de escolas ou instituições públicas. O edital da próxima cidade, Pouso Alegre, está aberto e as inscrições podem ser feitas até dia 24 de dezembro, pelo site www.appa.art.br. A execução das obras e a oficina na cidade do Sul de Minas serão entre 13 e 24 de janeiro de 2025.


Arte e transformação social


Presidente da Appa, Xavier Vieira celebra os impactos sociais transformadores que a arte carrega, saudando o papel da Copasa como parceira no projeto. “A Copasa é uma empresa que está focada em solucionar problemas complexos da nossa sobrevivência em sociedade, da nossa convivência com a natureza. Este projeto coroa não apenas esse trabalho, como entrega à sociedade um valor agregado, tornando os espaços onde a empresa atua, que são os centros de tratamento de água e esgoto, ambientes mais aprazíveis, esteticamente mais acolhedores. É uma alegria, para a APPA, fazer parte de construções que se revertem em resultados tão bonitos”.


Para o diretor de Clientes, Comunicação e Sustentabilidade da Copasa, Cleyson Jacomini, “com esse projeto aproveitamos os nossos reservatórios e espaços, para que eles possam coexistir de forma harmônica com as comunidades em que atuamos. Assim, podemos unir o útil ao agradável, gerando um visual mais bonito e que ainda valoriza a cultura e artistas locais, a arte mineira, a água e o meio ambiente”.


A coordenadora de “Arte nas Águas de Minas”, Ludmilla Ramalho, ressalta os resultados artísticos alcançados, mas também o intercâmbio estético e afetivo com as comunidades durante os processos. “Já tivemos até aqui resultados bastante impactantes, não apenas com relação às belíssimas obras produzidas, mas também quanto à mobilização social. O impacto que as ações formativas trazem e, também, as trocas com a comunidade”, pontua. 


Obras em Araxá


Natural de São Paulo, Ramon Martins é artista urbano e artista plástico. Criado em Minas Gerais e formado em Artes pela UEMG, criou grandes murais em cidades como São Paulo, Belo Horizonte e Brasília; e em países como França, Alemanha, Holanda e Bielorrússia. Já participou de exposições importantes e tem obras em coleções de renomadas instituições como MASP (SP), MAM (RJ) e MAB (PE). Para “Arte nas Águas de Minas”, produziu a obra “Flutuante”, que traz uma grande figura feminina em destaque, dividindo espaço com plantas, grafismos e elementos geométricos de cores vibrantes, que marcam a colagem urbana dos trabalhos do “pós-graffiti” apresentado pelo artista paulistano. 


De Araxá, Marlette Menezes é artista visual, fotógrafa, ilustradora e desenhista. Graduada em Artes Visuais e Mestra em Ensino de Artes pela UFMG, possui larga experiência nas áreas de design gráfico, design social e educação. É ilustradora de literatura infantil, com mais de 20 livros publicados, tendo sido homenageada com vários prêmios, entre eles o Jabuti, em 2009. Apresenta para o projeto a obra “Canto das Águas”, que busca inspiração na Mãe d’Água, a Iara, ou Uiara, em tupi guarani. A “senhora das águas”, da mitologia brasileira. No painel, a figura principal, representada por uma linda mulher de origem indígena, surge à flor das águas como uma sereia, uma deusa mineral, protetora das águas de Araxá.


Também de Araxá, Matheus Black é artista urbano, especializado na linguagem do graffiti. Cofundou, em 2016, o grupo 4fosco Crew, do qual faz parte até hoje. Apresentado em muros e exposições de Minas Gerais e São Paulo, seu trabalho é marcado pelos personagens inspirados em máscaras africanas e pelo uso das letras (tags) do graffiti. Assina a obra “Omi Tutu”, que busca na sabedoria dos Orixás, principalmente de yabás, os elementos das águas. A imagem traz águas sendo derramadas pelas representações de Yemanjá e Oxum através de uma máscara de Kprliye. As águas jorram por cima da máscara de baule, que representa o nióbio da nossa região por sua cor. Então escorrem na máscara de mapiko, que representa as minas de Minas Gerais e o trabalho do homem.


APPA - Cultura & Patrimônio


A APPA - Cultura & Patrimônio é uma associação cultural, sediada em Belo Horizonte, de fins não lucrativos, que tem como principal objetivo a promoção de iniciativas artísticas, culturais e patrimoniais que favoreçam o desenvolvimento socioeconômico. Em mais de 30 anos, a APPA já desenvolveu, gerenciou e executou, com sucesso, mais de 240 projetos, aprovados em diversos mecanismos de financiamento cultural, como leis de incentivo à cultura e fundos culturais, além do gerenciamento e execução de convênios, termos de parceria, contratos de gestão, termos de ajustamento de conduta, patrocínios não incentivados, entre outros.


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