Sesc Pinheiros apresenta “Vozes Brasileiras”.
Renata Jambeiro por Márcia Moreira
Projeto, conduzido por pesquisadores e cantoras da música brasileira, é composto por quatro encontros presencias que jogam luz sobre a vida e obra de biografados
O segundo encontro, no dia 4 de outubro, conduzido por Lucas Nóbile e Fabiana Cozza, traz a obra de Dona Ivone Lara
Fotos: https://bit.ly/FotosVozesBrasileiras
“Vozes Brasileiras” é o nome do projeto de literatura do Sesc Pinheiros, dividido em quatro encontros presenciais, sempre às terças-feiras, às 20h, no Auditório (3º andar), gratuito e com retirada de ingresso com 1h de antecedência na bilheteria.
Com objetivo de mapear algumas das maiores vozes da música brasileira, foram convidados os críticos de música e pesquisadores: Leonardo Lichote, Leonardo Bruno, Lucas Nobile e Vagner Fernandes, que farão um revezamento ao longo dos encontros para mergulhar nos universos dos biografados: Clementina de Jesus, Dona Ivone Lara, Clara Nunes e Beth Carvalho.
Em parceria aos pesquisadores, uma outra voz é convidada a integrar a conversa, provocando reflexões e atuando ao lado dos especialistas. As convidadas são: as cantoras e intérpretes Ilessi, Fabiana Cozza, Virgínia Rosa e Renata Jambeiro. A mediação de todos os encontros é da crítica de arte Daniela Name, curadora da Caju (plataforma digital de arte, cultura e pensamento).
O projeto estreou no dia 13 de setembro com a cantora Ilessi e o crítico e jornalista Leonardo Lichote falando sobre Clementina de Jesus. Agora no dia 4 de outubro, será a vez da cantora Fabiana Cozza e do crítico Lucas Nobile mergulharem no legado de Dona Ivone Lara, cujo centenário é celebrado em 2022; no dia 25 de outubro, a cantora Virginia Rosa e o jornalista Vagner Fernandes, biógrafo de Clara Nunes, conversam sobre os vários momentos da carreira da cantora, e no dia 22 de novembro, último encontro do projeto, a cantora Renata Jambeiro e o jornalista e escritor Leonardo Bruno debatem a obra de Beth Carvalho.
Em todas as sessões, o violonista e cavaquinhista, Zé Barbeiro, acompanhará as cantoras em breves "canjas" nos comentários das biografias.
Sobre os encontros:
Encontro 1 | Clementina de Jesus
Com Leonardo Lichote e a cantora Ilessi
Dia 13/9. Terça, às 20h
Clementina de Jesus nasceu na periferia de Valença, cidade fluminense do Vale do Paraíba, em 1901. Morreu em 1987 e trabalhou muitos anos como empregada doméstica antes de iniciar a carreira musical e mesmo durante os primeiros anos como cantora. Seu imenso domínio vocal e sua sofisticada capacidade de improviso fizeram com que sua voz guarde a memória da ancestralidade africana e ao mesmo tempo aponte para abordagens que significariam uma vanguarda para seu tempo.
Ilessi é cantora e compositora carioca. Atua como cantora desde 1998, em todo Brasil e em países como França, Suécia e Inglaterra. Em 2009, lançou pela gravadora CPC-UMES o CD “Brigador – Ilessi canta Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro”, com arranjos e direção musical de Luis Barcelos. Em 2018 lançou pela Gravadora Rocinante o seu 2º CD “Mundo Afora: Meada”, com arranjos e direção musical de Thiago Amud, e canções de Alexandre Andrés, Milena Tiburcio, Paloma Roriz, Paulo Rocha, entre outros. Em janeiro de 2020 lançou “Com os pés no futuro – Ilessi e Diogo Sili interpretam Manduka”. Em outubro de 2020 lançou pela Gravadora Rocinante o disco “Dama de Espadas”, com músicas próprias, e produção musical de Elísio Freitas e Vovô Bebê.
Repórter e crítico musical com mais de 20 anos de carreira, Leonardo Lichote entrevistou e assinou reportagens com grandes nomes da música popular brasileira, como Caetano Veloso, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia, Djavan, João Bosco e Dona Ivone Lara.
Trabalhou no "O Globo", escreveu para o jornal “El País” e hoje é colaborador de veículos como o jornal “Folha de S. Paulo” e as revistas “Piauí” e “Traços”. É um dos editores da coleção "Cadernos de música" e da revista eletrônica "Resenhas miúdas", de crítica musical.
Encontro 2 | Dona Ivone Lara
Com Lucas Nobile e a cantora Fabiana Cozza
Dia 4/10. Terça, às 20h.
A carioca Ivone Lara (1925-2018) é uma das mais completas compositoras da música brasileira em todos os tempos. Com formação plural - da música de concerto ao jongo, passando pelo choro e pelo samba -, sua trajetória é fundamental para o reconhecimento do potencial melódico do samba e suas misturas com outros ritmos. Ivone foi ainda uma grande criadora no campo vocal. Seu contracanto foi creditado em disco por Paulinho da Viola e evidenciou seu raciocínio de composição.
Fabiana Cozza (1976) é paulistana, cantora e jornalista. Mestre em Fonoaudiologia pela PUC-SP. A artista tem produzido seus projetos com parceiros e sido convidada a participar de mesas, workshops, simpósios e projetos sobre voz, interpretação, cultura afro-brasileira, empreendedorismo negro, curadoria (foi curadora artística da Ocupação Cartola - Itaú Cultural 2016). Como extensão de seu trabalho, desenvolve estudos e orientação para cantores, atores e pessoas interessadas em revelar sua expressão artística através de sua voz e corpo.
Lucas Nobile é jornalista e autor de “Dona Ivone Lara: a primeira-dama do samba” (2015/ Sonora Editora) e de “Raphael Rabello: o violão em erupção” (2018/ Ed. 34). Idealizador e pesquisador do documentário “Garoto - Vivo Sonhando” (“Menção Especial de Pesquisa” pelo júri do festival In-Edit Brasil 2020). É colaborador da Rádio Batuta (IMS). Também é idealizador e curador da série “Muito Prazer, Meu Primeiro Disco” (Sesc, 2020/2021), que teve como convidados Gilberto Gil, Chico Buarque, João Bosco, Alcione, Leci Brandão e Fafá de Belém.
Encontro 3 | Clara Nunes
Com Vagner Fernandes e a cantora Virgínia Rosa
Dia 25/10. Terça, às 20h
A mineira Clara Nunes (1942-1973) passeou pelo bolero, pela bossa nova e pela mistura proposta pela Jovem Guarda antes de marcar a música brasileira com sua aproximação do samba e outros ritmos percussivos a partir da influência do canto e dos ritmos das religiões de matriz africana.
Bisneta de indígenas e filha de mineiros, Virgínia Rosa nasceu e cresceu em São Paulo, na zona norte. Nos anos 80, Virgínia começou a cantar como vocalista da banda Isca de Polícia, de Itamar Assumpção. Ao longo dos anos, cantou forró, samba, choro, maxixe, jazz, reggae, carimbó, funk, blues, baladas, baião, maracatu e música erudita. Virginia Rosa Canta Clara é um dos projetos especiais da cantora, que desdobrou em turnês e a gravação do trabalho em CD.
Vagner Fernandes é jornalista, pesquisador e escritor — lançou a biografia “Clara Nunes - Guerreira da Utopia”, pela Editora Ediouro, em 2007, reeditada em 2019 —, e, há mais de 20 anos, cobre reportagens na área de Cultura, além de um apaixonado pelo carnaval e portelense nato. Trabalhou em mídia impressa, rádio, televisão e internet, tendo passagens por Bloch Editores, O Globo, Rádio Jornal do Brasil, Jornal do Brasil, Vogue, L'Officiel, Consulado Geral da França no Rio e Secretaria Municipal de Cultura da Cidade do Rio de Janeiro, na qual esteve à frente da chefia de gabinete. É um dos gestores da Arena Carioca Fernando Torres, em Madureira, Zona Norte do Rio.
Encontro 4 | Beth Carvalho
Com Leonardo Bruno e Renata Jambeiro
Dia 22 de novembro. Terça, às 20h
Grande intérprete e instrumentista, Beth Carvalho (1942-2019) é fundamental para que se compreenda a revolução causada pelo pagode do Cacique de Ramos. Além de garimpeira de novos talentos, Beth também foi, ao longo de toda a sua trajetória, uma arqueóloga da canção de compositores já experientes, mas subvalorizada, caso dos gigantescos Cartola e Nelson Cavaquinho, com tantos sambas inéditos antes de ela gravá-los.
Formada em Artes Cênicas, pela UnB, Renata Jambeiro foi finalista do Prêmio da Música Brasileira-2016 (categoria “Melhor Cantora de Samba”). Desde o início de sua trajetória, transita entre teatros intimistas e grandes palcos para multidões. Dona de multi-habilidades, Renata atuou em mais de 20 espetáculos teatrais como atriz, coreógrafa, co-diretora e preparadora corporal. Começou sua trajetória artística no ballet, seguido de dança de rua, jazz, dança de salão, se firmando na dança contemporânea.
Jornalista, escritor e roteirista, Leonardo Bruno tem atuação no mercado audiovisual, experiência como apresentador e roteirista de eventos, além de diversificada atuação na área de samba e carnaval. Desde 2013, integra o júri do Estandarte de Ouro. É comentarista da TV Globo nos desfiles da Série Ouro carioca. Dá aulas nos cursos de Jornalismo, Marketing, e Publicidade/Propaganda no IBMR. É autor de 4 livros na área de cultura popular: "Zeca Pagodinho - Deixa o samba me levar", "Explode, coração - Histórias do Salgueiro", "Cartas para Noel - Histórias da Vila Isabel" e “Canto de Rainhas: O poder das mulheres que escreveram a história do samba”.

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